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Concerto de Amadores

Esta obra de grandes dimensões, ambígua na sua grandeza épica e temática banal, de carácter intimista, foi apresentada no Salon de 1882, em Paris. É uma obra de juventude mas uma das mais importantes pinturas do autor e também uma das mais significativas peças da arte portuguesa pela organização espacial da cena, traçada numa oval que se dilui em monocromatismo, numa linha envolvente da representação pictórica de um sentimento de cumplicidade artística deste momento musical. Eventualmente, interpretam o Rigoleto, de Verdi, como desenhara, alguns anos antes, a cena de um serão em casa dos pais. Em Soirée chez lui – Concerto de amadores estão presentes os pintores Artur Loureiro, ao piano, e Adolfo Greno. É percetível a amizade que os une e as afinidades sensíveis que partilham entre a pintura e a música, embora uma figura desconhecida e misteriosa no seu hibridismo, junto ao piano, revele uma diferenciada expressividade através das manchas do rosto. Em primeiro plano, destaca-se a irmã do autor, Maria Augusta Bordalo Pinheiro, também artista, com um impositivo vestido de seda creme, em tonalidades metalizadas. Em França, os críticos não lhe reconheceram talento e em Portugal, a sua exposição gerou polémica, sendo comentada a pintura em mancha, em zonas de conceção abstratizante, a indefinição das figuras, os objetos indecifráveis, características excecionais de uma evidente modernidade (autor do texto - Maria de Aires).